Este artigo critica o Governo Federal por politizar as enchentes do Rio Grande do Sul. Faz parte do livro “Um NOVO mandato pelo Brasil”, volume 6, de autoria da deputada federal Adriana Ventura
Os primeiros pingos caíram no dia 27 de abril de 2024, em Santa Cruz do Sul. A chuva ganhou força no dia 29, e sem parar, estendeu-se intensamente por 10 dias. Em decorrência dos temporais que assolaram o Rio Grande, sobrecarregando e transbordando as bacias, surgiram as enchentes, alcançando os municípios, arrasando bairros, acabando com a agricultura, a pecuária, o comércio e destruindo vidas.
Áreas mais afetadas foram os vales dos rios Taquari, Caí, Pardo, Jacuí, Sinos, Gravataí, além do Guaíba, em Porto Alegre, e da Lagoa dos Patos, em Pelotas e Rio Grande. Ao todo, cerca de 500 municípios foram impactados, com 2,5 milhões de pessoas afetadas. Toda essa tragédia mexeu não somente com os gaúchos, mas com todos os brasileiros. O povo brasileiro tem uma profunda admiração, carinho e respeito pelo Rio Grande do Sul, um Estado conhecido e reconhecido por suas fortes tradições, rica cultura e espírito patriótico. Em 2024, entre os meses de abril e maio, essa conexão ficou ainda mais evidente, despertando a solidariedade e a empatia em todo o País.
As enchentes de 2024 foram consideradas a maior catástrofe climática da história do Estado, obrigando mais de 600 mil famílias a deixarem suas casas. O Brasil se uniu pelo Rio Grande do Sul. Um parlamentar que se destacou, por ser “gaúcho da gema”, foi o meu querido amigo, deputado Marcel Van Hattem (NOVO/RS).
Marcel foi um guerreiro incansável, mostrando-se ao lado do povo do Rio Grande, especialmente os mais necessitados. Tão logo as enchentes começaram, ele logo voltou para seu Estado para ajudar as vítimas da catástrofe. Marcel foi para as ruas alagadas, usando canoas e barcos. Ele ajudou muito nas ações de solidariedade, e no Parlamento, apresentou projetos de lei que aliviaram o sofrimento do povo gaúcho.
Em Brasília, começamos uma operação de trincheira para ver como nós, do Legislativo, poderíamos ajudar o Rio Grande e os gaúchos. A primeira iniciativa foi a criação de uma Comissão Externa, por iniciativa do deputado Marcel van Hattem (NOVO/RS), para avaliar as causas das enchentes e os danos provocados por elas. O relator da Comissão foi o deputado Pompeo de Mattos, também gaúcho.
Essa Comissão promoveu discussões e encaminhamentos urgentes para liberar recursos federais aos municípios afetados. Entre as ações propostas pela Comissão, podemos destacar a suspensão de pagamentos de dívidas do estado, liberação adicional de recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), e facilitação no acesso a crédito para empresas, como forma de impulsionar a economia local. O conjunto dessas medidas foi essencial para garantir a recuperação financeira das regiões atingidas, demonstrando o empenho da Bancada do NOVO e de toda a bancada gaúcha na luta por soluções rápidas e eficazes.
Uma proposição que foi destaque em 2024, já convertida na Lei 14917/2024, foi o Projeto de Lei 1564/2024, de autoria do deputado Marcel van Hattem em coautoria comigo e inúmeros outros parlamentares. A iniciativa dispõe sobre medidas emergenciais destinadas aos setores de turismo e de cultura do Estado do Rio Grande do Sul, afetados pela tragédia ambiental.
A Bancada do NOVO e eu aprovamos todas as Medidas Provisórias encaminhadas ao Congresso Nacional pelo Poder Executivo que versavam sobre o envio de recursos para as áreas de saúde, logística, infraestrutura, moradia, entre outros, na tentativa de amenizar o sofrimento dos irmãos gaúchos.
Sou paulista, mas neste ano, o olhar para o Sul foi mais do que necessário. Procurei exercer um papel de liderança nas discussões e votações relacionadas às medidas de apoio ao povo do Rio Grande do Sul, gravemente afetado pelas enchentes. Apresentei propostas, ou me associei a iniciativas de outros parlamentares, que buscavam melhorar a alocação de recursos emergenciais, acelerar a ajuda federal aos municípios atingidos e alcançar a recuperação imediata do Estado.
Em vários discursos que proferi no plenário ou nas comissões temáticas, expressei toda a sua solidariedade aos gaúchos que sofreram – e ainda sofrem – com as consequências desse desastre natural. Dentre as mais relevantes ações que votei a favor, podemos mencionar: medidas emergenciais destinadas aos setores de turismo e de cultura; dedução de doações no imposto sobre a renda das doações efetuadas para a assistência às pessoas afetadas; e destinação de 50% do “Fundo Especial de Financiamento de Campanha” para a implementação de medidas emergenciais.
Embora eu tenha valorizado, nos meus pronunciamentos, a união do Parlamento na resposta à tragédia gaúcha, também critiquei a demora e a ineficiência do desgoverno Lula em executar ações preventivas e de socorro imediato. Como sempre faço, pedi mais transparência e responsabilidade no uso dos recursos públicos. Até onde se sabe, apenas 20% de todos os recursos foram efetivamente utilizados pelos municípios e pelos programas sociais.
Ainda que não bastasse a calamidade e todos os desdobramentos negativos dessa tragédia, esbravejei contra o uso político explícito que o desgoverno Lula deu ao tema. Denunciei a trama política e discursei inúmeras vezes sobre a nomeação do ministro Paulo Pimenta como coordenador das ações em resposta à calamidade. É público e notório que Pimenta é pré-candidato a algum cargo político em 2026 (senador ou governador), e Lula aproveitou-se do momento político para colocar o seu pupilo em evidência, o que é lamentável.
A tragédia que abalou o Estado, causando grande destruição, mortes e sofrimento para inúmeras famílias, deveria ter sido o foco central das atenções do Poder Executivo federal. No entanto, a nomeação de Paulo Pimenta levantou suspeitas sobre as verdadeiras intenções por trás dessa decisão. Não há dúvida que a nomeação de Pimenta teve motivação eleitoral. Ele passou a ser chamado, no meio político, de “governador biônico”[1].
Ao invés de priorizar a assistência às vítimas e a reconstrução das áreas afetadas, o governo federal estaria utilizando essa tragédia como um trampolim político para fortalecer a posição de Pimenta na cena estadual. Que estratégia política degradante! Lamentável!
Toda essa movimentação política desviou a atenção das necessidades urgentes da população atingida. A falta de foco nas ações concretas de socorro e reconstrução resultaram em uma resposta politiqueira e inadequada à tragédia, aumentando o sofrimento das vítimas. A percepção de que as ações do governo estão mais voltadas para ganhos políticos do que para o bem-estar social foi visível, e destruiu a confiança pública nas autoridades.
A nomeação de Pimenta, vista como um movimento estratégico por Lula, também revela um possível plano de longo prazo para trazer de volta o PT ao cenário político no Rio Grande do Sul. Utilizar uma tragédia para promover uma figura política é uma estratégia arriscada que aliena os eleitores e desvia a atenção de onde ela é mais necessária, sob o falso pretexto de compaixão e solidariedade.
Enquanto as vítimas da tragédia aguardam por ajuda e soluções, a politização do desastre coloca em xeque a verdadeira preocupação do desgoverno Lula com os afetados. Em momentos de crise, a prioridade deve ser sempre a assistência imediata e eficaz às vítimas, e não o jogo político.
[1] O termo “governador biônico” reflete bem a percepção de que Pimenta está sendo artificialmente elevado a uma posição de destaque, não por mérito ou competência demonstrada em gestão de crises, mas por estratégias políticas. Essa manobra visa catapultar sua candidatura a futuros cargos políticos, aproveitando-se do momento de visibilidade e da necessidade de uma figura de liderança no estado.








