Os novos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) mascaram a aprendizagem no Brasil
O Ideb do ensino médio subiu. A aprendizagem caiu.
Leia de novo, porque é isso mesmo.
O recente resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) trouxe um alerta preocupante: o suposto avanço no ensino médio foi impulsionado pelo aumento nas taxas de aprovação, e não pela melhoria real na aprendizagem dos alunos. Comemorar esses números é ignorar a realidade das nossas salas de aula. Ou seja: o indicador melhorou porque mais alunos foram aprovados, não porque aprenderam mais!
O desempenho nas provas piorou. Aprovar em massa virou atalho para melhorar estatística.
Vamos colocar em bom português: isso é maquiagem de dados. E não podemos aceitar que a maquiagem de dados de aprovação mascare a real situação do ensino no Brasil. Precisamos de transparência metodológica, margens de erro claras e dados auditáveis no Sistema de Avaliação da Educação Básica para que as políticas públicas sejam baseadas em evidências, e não em conveniências políticas.
Colocar o aluno no centro significa colocar a aprendizagem no centro. Não a taxa de aprovação.
E tem vítima. É o estudante que termina o ensino médio sem conseguir interpretar um texto ou resolver um problema básico de matemática. Ele recebe a conta depois, na primeira entrevista de emprego, na primeira prova de faculdade, na vida adulta.
Quando o sistema empurra o aluno para a série seguinte sem que ele tenha aprendido o mínimo, ninguém está sendo protegido. Estamos meramente adiando o fracasso e transferindo o custo para quem tem menos condição de pagar.
Um custo que não é só escolar. Não vamos acabar com a pobreza no Brasil sem um salto real e definitivo na qualidade da educação, da primeira infância ao ensino superior. Não existe nada com mais poder de mudança do que um jovem que aprendeu as ferramentas básicas para o próprio sustento e para a própria independência.
Comemorar esse resultado é escolher não olhar para dentro da sala de aula.
O Brasil não corrige aquilo que se recusa a medir direito. Nossas avaliações ainda carecem de padronização, estão distantes das melhores práticas internacionais e chegam a estados e municípios sem a clareza necessária para orientar qualquer decisão. Sem dado confiável, o gestor não enxerga onde está o problema e a política pública vira aposta.
Por isso sou autora do PL 1.524/2024, que institui a Política Nacional de Avaliação e Exames da Educação Básica. O que o projeto exige é o mínimo inegociável:
→ transparência metodológica no Saeb, no Enem e nos demais exames
→ margens de erro declaradas
→ dados auditáveis e divulgação permanente
→ comparação justa entre redes e escolas
Política pública séria se faz com evidência, longe de ideologia e de populismo.
Sem transparência nos dados, qualquer meta de educação continua sendo carta de intenções.
Quando o sistema empurra o aluno para a série seguinte sem que ele tenha aprendido o básico, quem paga a conta é o próprio jovem, que sai da escola sem preparo para o mercado de trabalho e para a vida. Nosso objetivo é garantir que nenhuma criança seja deixada para trás por falta de qualidade no ensino.
Nenhuma criança pode ser deixada para trás para que um índice pareça melhor no papel.




