Adriana Ventura

Inovação na saúde para trazer mais sustentabilidade ao SUS

Inovação na saúde: deputada Adriana Ventura no CAISM, em Campinas

Este artigo sobre inovação na saúde faz parte do livro “Um NOVO mandato pelo Brasil”, volume 6, de autoria da deputada federal Adriana Ventura.

Sempre brinco que o SUS – sistema de saúde brasileiro – precisa ser SUStentável. Como o sistema é universal e os recursos não, meu principal papel como titular da Comissão de Saúde na Câmara dos Deputados, para além da questão importante de discutir o próprio sistema, é lutar para que os recursos sejam aplicados da melhor maneira possível. E isso é um problema constante, considerando que vivemos em um País cuja política é sempre assistencialista e populista, sem nunca se preocupar se a conta fecha. Tem dias que me sinto o Júlio César no 7 x 1 contra a Alemanha. 

Mas o que são recursos bem aplicados? Aqueles que não são destinados para beneficiar classes específicas. Aqueles que partem da análise de dados e evidências.  Aqueles que focam na ampliação da atenção primária e na saúde preventiva. Ou aqueles que implementam programas de qualidade em gestão de saúde. E, claro, investimentos em tecnologia para aprimorar a digitalização da saúde. 

Vamos lembrar: a aprovação da Lei da Telessaúde, de minha autoria, foi um passo importantíssimo para a sustentabilidade do SUS. Afinal, as tecnologias estão revolucionando a atenção à saúde no mundo todo. A conectividade permite o co-gerenciamento do paciente entre diversas instituições e profissionais de saúde, aproximando pessoas e eliminando distâncias. 

Esse foi o começo. Há outras revoluções que a inovação tecnológica pretende trazer para a mesa: o uso de Big Data e a Inteligência Artificial, análises em tempo real dos métodos de tratamento, a automação, operações à distância feitas por robôs poderão aprimorar ainda mais a experiência do paciente, os resultados clínicos e a eficiência de todo sistema de saúde público e privado. 

Em 2024, especificamente, meu foco principal foi a aprovação do Prontuário Eletrônico na Saúde – PL 5875/13. Sou relatora deste projeto de lei na Comissão de Saúde e me empenhei para vê-lo discutido e tramitando. Para começar, fiz inúmeras audiências públicas sobre o tema para ouvir todos os interessados. Depois, escrevi um relatório final contemplando as observações trazidas pela sociedade, pelo Governo e por outros deputados. Houve obstrução por parte do Governo, mas a ideia agora é colocar o projeto em votação no começo de 2025. 

Se não informatizarmos e unificarmos os dados e os atendimentos, continuaremos em um ciclo perverso. A implementação do Prontuário Eletrônico Único vai aprimorar a gestão do atendimento, a análise dos dados, o monitoramento da saúde e dos gastos e a adoção das políticas públicas e investimentos baseados em evidências. Além de ser um investimento fundamental para evitar o desperdício. E mais: a informatização é um instrumento poderoso no combate à corrupção. 

Ser o adulto na sala tem preço. A área da saúde possui um diferencial em relação a todas as outras – mexe com questões de vida e morte, aborda tratamentos para pessoas que sofrem fisicamente e famílias que passam por situações extremamente delicadas. Sabemos que não é possível resolver 100% das necessidades, porém ninguém quer ser o mensageiro dessa má notícia. Em 2024 eu e minha equipe exercemos esse papel – mas de forma inteligente e propositiva. Negociei com autores e relatores mudanças na redação de dezenas de projetos, sempre na intenção de melhorar a redação e atingir o melhor resultado para o Brasil. Com comunicação e estudo.

E quando não há acordo? Aí é o momento de enfrentamento; em 2024 isso ocorreu especificamente em relação ao PL 3311/20, cuja aprovação criminaliza registro fotográfico em hospitais e o PL 5363/20, cuja rejeição implica na perda da oportunidade de desenvolver a telefarmácia no Brasil. Nesses exemplos, atuei de maneira vocal para impedir resultados contrários à liberdade de expressão ou favoráveis à reserva de mercado.

Quando em situações sem saída, na qual um projeto insustentável ou absurdo irá passar em virtude de pressão política, faço questão de manifestar a posição sensata e fundamentada em dados. Há oportunidades em que todos encontram-se indefesos diante de uma multidão de membros de categorias beneficiadas gritando palavras de ordem durante a reunião.

Nesse momento, entre vaias e ameaças, fiz questão de vocalizar o absurdo de certos projetos, enfrentando as consequências naturais daqueles que desagradam a tal ou qual classe. Foi o caso do PL 1365/22, que impõe um piso salarial para cirurgiões dentistas sem qualquer estudo de impacto ou projeção. 

Recebi contatos de outros deputados – e mesmo de representantes do governo que não queriam votar o projeto. Na hora da verdade, fui a única a posicionar-me contrariamente. É preciso coragem para ser a voz do cidadão que paga pelo SUS.

Outra discussão importante em 2024 foi sobre a Inteligência Artificial. Desde o final de 2023 e durante todo o ano de 2024 acompanhei a discussão do PL 2338/23 no Senado. O leitor pode estar se perguntando “mas o que isso tem a ver com a saúde?” e digo que tem TUDO a ver e talvez seja a principal questão desta legislatura.

O Projeto de Lei inicialmente colocava a saúde como área relacionada a atividades de alto risco e risco excessivo para uso de inteligência artificial. O que isso significa? Em resumo, impediria as empresas e instituições brasileiras de desenvolverem soluções de saúde usando inteligência artificial.

Durante o ano de 2024 viajei aos Estados Unidos com um grupo de parlamentares para ver como um ambiente mais livre poderia encorajar o uso de IA mantendo parâmetros éticos. Passei a me posicionar ativamente, fui convidada a palestrar em eventos, assim como entrevistada por veículos de comunicação interessados na área.

Temos a chance de virar o jogo? Sim. O resultado deste ativismo foi uma redação final “menos pior” do PL 2338/23 vindo do Senado. Após iniciar perdendo feio, marcamos um gol e o projeto chega à Câmara agora em 2025.


Vem falar comigo!