Adriana Ventura

PEC do Código de Ética do Judiciário

Deputada Adriana Ventura no Plenário da Câmara dos Deputados

Deputada federal Adriana Ventura coleta assinaturas para criar regras claras de conduta para o Judiciário

A deputada federal Adriana Ventura (Novo-SP) está coletando assinaturas de deputados para viabilizar a PEC do Código de Ética do Judiciário, que cria um código de conduta obrigatório para o Judiciário brasileiro, abrangendo até os ministros do Supremo Tribunal Federal e os tribunais superiores. Para começar a tramitar, a proposta – protocolada em 03/11/2025 – precisa de 171 assinaturas de deputados federais.

A falta de transparência e de limites claros de conduta para ministros de Cortes Superiores corrói a legitimidade das decisões e abre espaço para interferências políticas e agendas pessoais. Restabelecer o equilíbrio entre os poderes e a confiança do conjunto da sociedade no Judiciário é fundamental para nossa democracia”, diz a deputada federal Adriana Ventura.

A PEC do Código de Ética tem quatro pilares principais:

1.⁠ ⁠Imparcialidade real e redução de brechas
Estabelecer parâmetros claros de conduta para reduzir interpretações convenientes e reforçar que ministros devem ser imparciais, impessoais e sem “favores devidos a ninguém”.

2.⁠ ⁠Transparência e conduta pública
Regrar conflitos de interesse, participação em eventos, exposição pública, recebimento de presentes e benefícios, ampliando a transparência e diminuindo dúvidas sobre a independência dos magistrados.

3.⁠ ⁠Limites pós-mandato
Avaliar modelos internacionais, como o alemão, para discutir formas de “quarentena” após a saída do tribunal, evitando o uso de influência e conflitos de interesse em atividades futuras.

4.⁠ ⁠Defesa da democracia e do equilíbrio institucional
Reafirmar que a proposta não é contra o Judiciário, mas a favor de regras impessoais, do Estado de Direito e da ideia de que toda autoridade pública deve prestar contas e atuar dentro de limites nítidos.
A velha preocupação com a “tirania do Judiciário”, citada por Ruy Barbosa, volta ao centro do debate.

Ao sistematizar um código de conduta por meio de PEC, nosso objetivo é garantir que os atos praticados pelos ministros das Cortes Superiores, especialmente do STF, sejam orientados por padrões objetivos de integridade. Isso fortalecerá a confiança da população nas instituições e na própria democracia brasileira”, diz a deputada federal Adriana Ventura


A proposta de instituição do Código de Ética ganhou grande repercussão após a divulgação, em 7 de dezembro, de que o ministro do STF, Dias Toffoli, havia viajado para o Peru no jato particular do empresário e político Luiz Oswaldo Pastore, com a companhia de Augusto de Arruda Botelho, advogado do diretor do Banco Master, instituição que está sendo investigada pela PF por fraudes e está sendo julgada no STF pelo próprio ministro Toffoli.

Para a deputada federal Adriana Ventura, este tipo de acontecimento “destrói a confiança do brasileiro na Justiça”. Para a parlamentar, não é papel de um ministro do STF dar palpite antes de julgar, muito menos decidir casos de pessoas representadas pela própria família. Adriana acredita que, a exemplo do que acontece com juízes de primeira instância, promotores e vereadores, o STF também precisa seguir um código de conduta. Só assim, segundo a parlamentar, o STF conseguirá sair dessa “zona cinzenta da impunidade ética”.

A proposta do código é vista com bons olhos pelo próprio presidente do STF, Edson Fachin. No dia 8 de dezembro, foi divulgado por diversos veículos uma nova iniciativa, partindo do próprio judiciário. As notícias deram conta que, desde sua posse, em setembro, Fachin estaria estudando a implementação de um código de conduta para o STF. 

No dia 15 de dezembro, a presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Maria Elizabeth Rocha, manifestou apoio à proposta de Fachin que, segundo a magistrada, também tem o apoio dos demais presidentes de tribunais superiores. O tema ganhou novo fôlego depois das declarações da presidente do Superior Tribunal Militar (STM), ministra Maria Elizabeth Rocha. Ela também reconheceu a necessidade de um código de ética específico para os integrantes das Cortes Superiores. Hoje eles não são alcançados pelo Código de Ética da Magistratura.

Precisamos aproveitar essa oportunidade institucional rara: se a própria cúpula do Judiciário admite a falha, é hora de o Congresso agir.É importantíssimo definir limites, balizas de conduta e fazer com que o Supremo ‘dê o exemplo'”, diz a deputada federal Adriana Ventura

Uma terceira iniciativa em prol da criação do Código de Ética também foi encampada pelos presidentes dos tribunais superiores – STM, Tribunal Superior do Trabalho (TST), Superior Tribunal de Justiça (STJ), Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alinhado ao ministro Fachin, presidente do STF, que anunciaram o lançamento de um manifesto público pela criação de um código de conduta para os ministros do STF, nesta terça-feira (16), 


O que é a PEC do Código de Ética do Judiciário?

A PEC propõe instituir regras objetivas de conduta para ministros dos tribunais superiores, com foco em imparcialidade, transparência e prevenção de conflitos de interesse. A proposta também estende a exigência de código de ética aos membros do Ministério Público.

Por que a PEC do Código de Ética é importante?

Nos últimos anos, cresceu no Brasil a percepção de que há uma ‘zona cinzenta’ quando o assunto é comportamento público, participação em eventos, relações com partes interessadas e manifestações sobre processos – e isso afeta diretamente a credibilidade e a confiança do cidadão nas instituições.

O próprio Judiciário tem discutido a necessidade de regramento mais claro para as Cortes superiores, inclusive com defesa de que o STF dê o exemplo.

O que a PEC do Código de Ética quer mudar na prática?

• Garantir o máximo de imparcialidade no Judiciário;

• Restringir declarações públicas sobre processos em curso;

• Limitar participação em eventos bancados por envolvidos em casos em julgamento;

• Regular conflitos de interesse quando houver interesse de parte representada por cônjuge, companheiro ou parente.

• Proibir atuação em casos em que parentes sejam advogados.

Um modelo internacional citado na proposta

O texto menciona como referência o Código de Conduta do Tribunal Constitucional Federal alemão, que define princípios gerais de conduta, limita atividades fora da magistratura e estabelece regras aplicáveis até a ex-integrantes.

“Sem dúvida, esse Tribunal tem exercido enorme influência em todo o direito constitucional pós-guerra e, no Brasil, serviu como modelo para construção do nosso sistema de controle de constitucionalidade. O referido Código prescreve princípios gerais de conduta, disciplina os limites da atuação de seus membros em atividades alheias ao exercício da magistratura e estabelece regras aplicáveis aos seus ex-integrantes”, diz o texto. 

Quantas assinaturas faltam e como deputados podem apoiar

Para começar a tramitar, a PEC precisa de 171 assinaturas de parlamentares.

Deputados federais que quiserem apoiar podem subscrever a proposta e ajudar a abrir um debate institucional sobre regras claras, transparência e integridade.

Já foram coletadas 36 assinaturas apoiando a PEC (17h do dia 16/12).

Quer ajudar a PEC a avançar?

• Fale sobre esta PEC para os deputados federais que ainda não subscreveram;

• Envie mensagem direta pedindo: ‘Assine a PEC do Código de Ética do Judiciário’.

• Compartilhe esta matéria para aumentar a pressão por assinaturas.

FAQ

A PEC muda decisões do STF?

Não. A proposta trata de conduta, transparência e prevenção de conflitos de interesse, com parâmetros objetivos.

Por que precisa de assinaturas?

Porque para uma Proposta de Emenda à Constituição – PEC tramitar, é necessário apoio mínimo de deputados federais. No caso, 171 assinaturas.

Quem propôs a PEC?

A deputada federal Adriana Ventura (Novo-SP), com protocolo na Câmara em 03/11/2025.

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