Deputada Adriana Ventura promoveu audiência pública para discutir a intolerância nas universidades e fomentar a diversidade de pensamento
A deputada Federal Adriana Ventura, representando o partido NOVO, conduziu uma audiência pública relevante focada em discutir a intolerância nas universidades brasileiras. Com o nome “Violência nas Universidades por Diversidade de Pensamento”, o encontro reuniu acadêmicos, políticos, e representantes de movimentos estudantis para discutir os crescentes desafios à liberdade de expressão no ambiente acadêmico e explorar soluções eficazes para garantir que as universidades se mantenham como espaços de livre debate e aprendizado.
Ao longo do meu mandato, tenho acompanhado com grande preocupação a escalada de hostilidade e intolerância ao contraditório que vem se instalando nas universidades públicas brasileiras. Como professora universitária há mais de vinte anos e integrante da Comissão de Educação, considero inadmissível que ambientes destinados ao pensamento crítico e ao diálogo se transformem em espaços marcados pelo medo e pela perseguição ideológica. Relatos de intimidação, cancelamento e até violência física tornaram indispensável a realização de audiências públicas para discutir a violência nas universidades por intolerância à diversidade de pensamento. Uma iniciativa que fiz questão de conduzir pessoalmente.
A audiência pública que presidi em 2 de setembro de 2025, no Plenário 16 da Câmara dos Deputados, teve a intenção de defender a liberdade de expressão, a diversidade de ideias e a integridade do ambiente acadêmico. Ela reuniu representantes então vinculados a diferentes organizações estudantis, entre eles: Héber Lima, presidente da Juventude Estadual do NOVO em São Paulo; Thaiz Batista, diretora executiva da Students For Liberty Brasil; Bruno Sperancetta, da Juventude Livre de São Paulo; e Isadora Piana, presidente da Juventude NOVO Nacional. Todos apresentaram relatos contundentes de intimidação e perseguição política dentro das universidades.
A participação foi expressiva: dezenas de universitários compareceram, interagiram e trouxeram depoimentos diretos sobre hostilidade, coerção ideológica e cancelamentos de atividades acadêmicas. Embora a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES) tenham sido formalmente convidadas, ambas recusaram participar, uma ausência lamentável, sobretudo em um debate que exige a presença de todas as vozes.
O conjunto dos relatos evidenciou a gravidade de um ambiente universitário cada vez mais intolerante à pluralidade de pensamento. É cada vez mais comum que estudantes e professores sejam pressionados a aderir a visões hegemônicas, sob pena de serem hostilizados ou excluídos. Um dos casos mais alarmantes ocorreu recentemente no Congresso da UNE, quando jovens representantes do Partido Novo foram impedidos de entrar no evento e acabaram agredidos. O testemunho de Isadora Piana, então presidente do Novo Jovem, expôs a gravidade da situação: um espaço que se diz plural transformou-se em ambiente de intimidação política, sem segurança adequada e sem qualquer apoio institucional aos estudantes que buscavam simplesmente participar do debate.
Outro episódio particularmente grave ocorreu na Universidade Federal do Paraná, durante um evento acadêmico que receberia Guilherme Kilter, Rodrigo Marcial, ambos vereadores do NOVO, e o advogado Jeffrey Chiquini. Os três foram alvo de uma onda coordenada de hostilidades, iniciada ainda na entrada da instituição: foram impedidos de acessar o auditório, cercados por manifestantes que promoveram agressões verbais, empurrões e ameaças, situação que exigiu a intervenção da Polícia Militar para assegurar a integridade física dos convidados. O cancelamento forçado do evento, aliado à ausência de uma resposta institucional firme em defesa da liberdade acadêmica e da segurança do ambiente universitário, evidencia um padrão preocupante: a crescente complacência, e por vezes próxima da conivência, das instituições diante de atos organizados de silenciamento político.
Esses episódios, entre tantos outros, deixam evidente que a convivência democrática no ambiente universitário está sob ataque. E é precisamente por isso que a audiência pública que promovi foi tão necessária: precisamos ouvir relatos concretos, identificar os fatores que têm alimentado essa hostilidade e construir recomendações sérias para garantir que nossas universidades voltem a ser espaços seguros, inclusivos e verdadeiramente plurais. Como relatou Héber Lima, atual presidente do Novo Jovem: “Presenciei de perto a hostilidade no congresso da UNE e sei o quanto é difícil enfrentar esse ambiente.”
Quero lembrar que esta não é a primeira vez que tratamos deste tema nesta Casa. Em maio de 2024, já realizamos uma audiência pública sobre violência nas universidades, quando recebemos inúmeros relatos preocupantes de estudantes e professores sobre perseguições, intimidações e até agressões motivadas por divergência de pensamento. Infelizmente, pouco mudou desde então.
Acredito profundamente que a universidade deve ser o lugar onde o contraditório é protegido e incentivado, e não sufocado. Minha atuação permanece guiada por um compromisso firme com a defesa da liberdade de expressão, da diversidade de pensamento e da integridade acadêmica. Continuarei trabalhando para que cada estudante — independentemente de sua visão política — tenha garantido o direito de estudar, dialogar e se expressar sem medo. A universidade deve ser um lugar de convivência democrática, não de silenciamento. E isso passa pela garantia da liberdade de expressão — um direito constitucional que protege tanto as vozes majoritárias quanto as minoritárias. Defender um ambiente universitário democrático é defender a própria essência da educação e da vida em sociedade.
Assim, como encaminhamento da audiência pública protocolei o projeto de lei 4781/2025, altera a Lei nº 7.395, de 31 de outubro de 1985, para assegurar a pluralidade e a proteção da diversidade de pensamento no âmbito das entidades estudantis e das instituições de ensino superior.
Por que fazer uma audiência pública sobre a intolerância nas universidades?
A motivação para a audiência surgiu de relatos de violência e discriminação em universidades, onde estudantes e professores sentem-se pressionados a aderir a ideologias dominantes. Adriana Ventura, também professora universitária, destacou a importância de abordar estas questões para preservar a integridade educacional e a diversidade intelectual no Brasil.
Principais Contribuições e Debates na audiência pública sobre intolerância
Ricardo Marcelo Fonseca, reitor da Universidade Federal do Paraná
Contribuição: Enfatizou a universidade como local de debate e construção de conhecimento, defendendo que a liberdade de expressão deve ser protegida, mas nunca usada como escudo para práticas discriminatórias ou violentas.
Bruno Bini Bimbi, presidente executivo da Estendidas Brasil
Contribuição: Discutiu a influência da polarização política no ambiente acadêmico e relatou incidentes de antissemitismo e hostilidade que comprometem a segurança e o respeito dentro das instituições de ensino.
Marcelo Acácio, diretor de Relações Institucionais da União dos Estudantes
Contribuição: Apesar de mencionado, Marcelo Acácio não chegou a tempo de contribuir substancialmente para a discussão, mas sua presença indicava a importância de incluir vozes estudantis nos debates sobre políticas educacionais.
Letícia Perfeito, diretora nacional da União Juventude Liberdade
Contribuição: Falou sobre os desafios enfrentados por estudantes que possuem ideologias divergentes da maioria, destacando a necessidade de espaços mais inclusivos e democráticos dentro das universidades.
Soluções propostas para diminuir a intolerância nas universidades
- Educação para Tolerância e Diversidade: reforçar nos currículos universitários temas que promovam o respeito às diferenças e a importância do debate construtivo.
- Políticas de Segurança Claras: implementação de diretrizes claras contra violência e discriminação em campus universitários, com mecanismos efetivos de aplicação e penalidades para quem violar essas normas.
- Fomento ao Diálogo Intergrupal: incentivar e organizar regularmente fóruns e eventos que envolvam diferentes grupos estudantis e acadêmicos para promover o entendimento mútuo e a colaboração.
Conclusão
A audiência pública presidida pela Deputada Adriana Ventura ilustrou a urgência de abordar a questão da liberdade de pensamento nas universidades. As contribuições dos palestrantes proporcionaram um rico panorama dos desafios e possíveis soluções, destacando que, apesar das dificuldades, é possível criar um ambiente acadêmico que valorize a diversidade e a liberdade intelectual. A discussão reafirma o compromisso de trabalhar por um sistema educacional que não apenas informa, mas também forma cidadãos conscientes e respeitosos.
A sessão completa pode ser vista aqui:
E o resumo, aqui:



